quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Jornada de Julian – Parte 01.

O sol aos poucos tocava o chão revelando o tom verde da grama, as últimas gotas do orvalho pendiam das folhagens e tocavam o solo. Um pouco acima se podia avistar um homem de pouco mais de cinqüenta anos que nu e de braços abertos saudava o sol. Como se ele ali imponente fizesse parte do todo, apenas um circulo de sua própria urina o separava dos males que lá continham. Com o membro ereto sua masculinidade confrontava o sol.
Uma cena pitoresca para o jovem que entre as arvores assistia o velho homem saudar o sol. Havia caminhado por dias até chegar ao vale e agora mal abrira os olhos e enxergara o homem imponente no rochedo.
Após algumas dezenas de minutos ele saiu da posição que ficara imóvel e se pos a andar em direção a uma pequena casa. Pedras em cima de pedras erguiam as paredes, o telhado era composto por fios de palha cuidadosamente emaranhados.
O jovem o seguiu e como tinha sido avisado pelo dono do empório da cidade situada a uns quinze quilômetros daquele belo vale, ele não se atreveu a bater na pesada porta de madeira. Haveria de esperar pelo convite para poder falar com o homem. Ajeitou-se no gramado próximo a casa e ficou a esperar.
O velho agora vestido com apenas uma leve calça de algodão cru, saia da casa e se dirigia a uma determinada arvore, urinava e voltava para o interior da casa.
Durante três dias o jovem viu a cena se repetir sem que o homem se quer o notasse. Sabia da dificuldade de sua jornada e obstinava a continuar. O jovem pensou por todos os dias uma forma de ser notado, pensou, pensou e decidido levantou e caminhou até aquela determinada arvores e sentou sob ela.
Como sempre o homem saiu de sua casa e foi até a árvore, ao ver o jovem sentado na sob ela, dirigiu-lhe a palavra.
- Levante-se jovem, você deve estar faminto, vamos até minha casa para desjejuar.
A voz calma do homem parecia penetrar pela mente do jovem que alegre acompanhou o homem.
A casa gozava apenas de um cômodo metodicamente arrumado, defronte com a porta um pequeno fogão de lenha aquecia toda a casa, uma rede esticada tomava todo canto direito do cômodo, no lado oposto uma pesada mesa disputava espaço com inumemos objetos estranhos, de livros a tambores.
- Sente-se jovem e me conte o que te traz a meu mundo.
O jovem satisfeito sentou a mesa e começou a falar.
- Bom... Bem, meu nome é Julian, nasci e vivi muito longe daqui, além das montanhas, numa cidade bem interiorana.
Parou por um instante para comer o pão que o homem lhe oferecia. Retomando o fôlego por comer apressadamente continuou.
- Não sei ao certo o que me trouxe até aqui, sei que a pouco mais de um ano eu enlouqueci, pude ver ou sei lá... Alucinei.
Confuso e sem conseguir falar o que durante toda a viagem ensaiou, abaixou a cabeça decepcionado por não poder com palavras o que sentia.
- Julian, acalme-se, eu sou Iaré, como deve saber, vejo que você recebeu o chamado. Hoje em dia se torna mais comum que pessoas urbanas como você o receba, quase não existe mais gente em harmonia com a mãe terra e o pai sol, é triste que você tenha visto o que viu.
Mesmo pronunciando com tristeza na voz, Iaré usava exatamente o mesmo tom de voz que usara quando convidou Julian para entrar.
- Iaré, mas o que é o chamado, eu nem sei o que me trouxe aqui, é embaraçoso nem ao menos saber.
- Julian ainda não disse que te ensinarei algo, acalme-se, a ignorância é a dádiva dos que dormem; para saber se realmente estou em seu destino preciso consultar os espíritos guardiões. Enquanto faço isso tome essa lança e traga nosso almoço.
- É... Como assim... Eu nunca... Nunca mesmo.
Ignorando o apelo do jovem, Iaré abriu a porta e entregou a lança rusticamente feita a Julian, esperou o jovem passar e fechou a porta.
Por alguns instantes Julian olhou para a casa hesitante em cumprir a ordem do velho homem.
Vendo que se quisesse permanecer em sua escolha teria que caçar, decidiu tentar. Correu em direção a densa floresta de araucárias e sumiu nos arbustos.
O tempo fresco do vale foi dando lugar ao pesado calor do meio dia, durante horas Julian tentou caçar, perdeu a conta de quantas vezes lançou em vão a rústica lança. Decepcionado voltou a cabana.
- Pela decepção não deve ter tido hesito.
- Nem se quer cheguei perto, tentei, mas não consegui.
- Por isso não conseguiu, não existe tentar, ou você faz, ou não faz. Agora relaxa temos muito que conversar.
Iaré colocou a mão sobre a cabeça do garoto como sinal de apoio, voltou-se de costas a ele e parou por um longo período de tempo. Ao se virar novamente ao garoto se podia ver a face tocada por varias lagrimas.
- Julian, vou lhe contar. Pausou para mais algumas lagrimas e retornou.
- Lhe contarei a historia da ultima tribo dos lobos, ao final desta historia saberá se este é sei caminho, se o destino o trouxe é ele que revelará seu caminho.

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