O cair da noite a muito já havia passado, as casas vistas pela grande janela do salão aos poucos iam apagando suas velas e luminárias. O salão se estendia por muitos metros para todos os lados, sua forma circular parecia abranger todo o andar da alta torre do castelo. Suas paredes eram ricamente adornadas com sedas das cores vermelhas e ocre que disputavam espaço com as grandes tochas que o iluminavam.
No centro uma pesada mesa feita com a mais cara das madeiras encerrava em si os mais nobres do reino e também os comandantes, reis e diplomatas das terras externas. O ar pesado do ambiente parecia embriagar mais que a forte bebida servida a todos. Estavam ali reunidos há horas em busca de uma solução, a guerra se aproximava de seu fim, porém este fim seria a destruição do próprio conselho, dos humanos em si, os filhos de Intelhem Ham Ktum enfim venceriam. Eles conhecedores das maiores verdades, manipuladores hábeis da realidade, esplendidos em batalha e estratégia.
Um dia foram eles que ensinaram os fracos humanos a guerrear e viver, e agora passado centenas de anos do desaparecimento dos dois deuses protetores, eles entraram em uma sangrenta guerra, levando os dois lados a se fortificarem e ficarem fadados a viverem neste planeta morto.
O conselho era formado pelos membros que se destacaram de alguma forma na guerra, seja em batalha, magia, estratégia, ou simplesmente erguendo a cultura. Muitos oráculos dizem que estes membros são um cruzamento engenhoso entre as duas raças, feito por aqueles que conhecem o futuro e viram a autodestruição dos únicos que sobraram após a guerra dos deuses.
O grande brasão acima da única entrada do salão fazia com que muitos ali refletissem, o reino de Manticarr era o maior dos reinos humanos, e portanto, o maior alvo dos Yerktum, há muito a população do reino não agüenta as constantes batalhas que agora estão sendo travadas em seus quintais. O exercito por mais que se esforce não consegue mais rechaçar os invasores que já haviam tomado o folde ocidental e começavam a campanha de invasão seguindo pelo rio turvo, o mais importante do reino e que cortava as principais cidades.
O longo silencio é interrompido por um homem de grande estatura, muito forte, que usava um pesado elmo, acompanhado de uma bela armadura feita em bronze com dezenas de arabescos cuidadosamente acabados em ouro puro, trazia em sua cintura uma espada larga que já bebera do sangue de muitos Yerktum, nas costas um arco composto repousava na longa capa de couro curtido e em suas mão uma longa lança era usada hora como apoio, hora como ameaça.
- Hora senhores! Temos que reunir mais homens e contra atacar usando as encostas...Fazendo um gesto hábil e extremante rápido o homem golpeou o ar e prosseguiu – E flanquear nosso inimigo.
Instantes antes de o homem terminar outro se levantou, este tinha uma estatura mediana estava vestido apenas com uma túnica ocre, algumas inscrições em uma língua a muito esquecida podia ser vista em ambas as mangas. Ele lançou os cabelos para traz na tentativa de descobrir seus olhos, enxergar melhor e disse.
- Príncipe das cinco armas, eu sei que seu pai é o atual rei e compartilho de seu desespero em tentar rechaçar o inimigo, mas veja, olhe as casas, olhe além, olhe as fazendas, meu nobre general tu achas que ainda resta algum homem nestas terras que ainda não carregas uma espada e lutas sob seu estandarte?
Um constrangedor silencio percorreu o salão enquanto o príncipe das cinco armas formava a frase em sua cabeça. Então ele apoiou a longa lança no chão se debruçou sobre ela e voltou a falar.
- Oh Gran Consilleri! Então formemos uma tropa com as mulheres, com os bodes se preciso, mas não podemos deixar que avancem mais tornando nossa terra estéril, trazendo morte a nossas famílias e tristeza a nosso falecido deus.
- A luta a muito não nos serve mais, talvez devamos nos preparar para o inevitável. O Gran Consillieri se apressou em responder. Sua resposta ecoou pelo salão como um golpe de foice no trigo.
Um sujeito que ainda não tinha sido notado pelos reis estrangeiros se levantou, ele antes estava sentado no chão frio encostado na parede logo abaixo de uma flâmula que trazia algumas inscrições nela. O homem de estatura um pouco acima da média e com uma notável barriga formada nas longas festas dos dias de gloria do reino, trazia uma armadura estranha e engraçada, entendida apenas pelos mais antigos, uma armadura que a muito não se usava e uma bainha sem espada alguma.
- Grande conselho se não fizermos nada e não lutarmos então morreremos, se lutarmos...Morreremos, então que morramos com honra, e não se esqueçam destas palavras que estão logo acima de mim. O homem apontou a faixa que trazia a seguinte inscrição: “Nullus invado nostrum regnum, nullus imbibo nostrum vinum, nullus boare nostrum femina”. Que em sua tradução aproximada diz: Não invadam nosso reino, não bebam nosso vinho e não cantem nossas mulheres.
O clima pesado fora quebrado pela primeira vez, o homem voltou a se sentar com a impressão de que tinha se feito entender.
Sem demoras os Olhos que Vêem, sujeito alto, podia tranqüilamente ser líder dos exércitos com aquele porte, mas havia dedicado sua vida a compreensão das coisas, e como poucos podia ver além da visão de todos ali presentes, levantou a cabeça aos céus e disse:
- A destruição sempre esteve à porta de nossos lares, mas agora ela está presente até mesmo ao filho que ainda não nasceu, estamos em um momento delicado, onde a destruição de tudo que amamos é praticamente inevitável...Praticamente. O único passo a darmos se nosso objetivo for fazer com que o reino sobreviva é lutarmos acima de nossas forças e acima de nossas escolhas. O que lhes pergunto é, estão preparados para serem mais do que vocês mesmo?
Suas palavras ditas suavemente de modo alguma foram entendidas como provocação ou agressão, muito pelo contrario uma urra quase animal foi proferida por todos presentes.
Um ultimo urro foi dado pelo Andarilho dos Sonhos, um belo rapaz com vestias comemorativas da cor vermelha e laços presos pelo corpo inteiro, um grande cinto se multiplicava abraçando seu corpo e mostrando seu porte. Deu um gole em sua bebida e começou a falar logo em seguida:
- Os Yerktum dormem pouco, não se embebedam, não se apaixonam, sabem de verdades que estão perdidas nas mentes débeis de nossos anciões. Eles pecaram, sim pecaram quando acharam que eram superiores a tudo. Mesmo que conheçam a verdade ou qualquer outras destas antigas historias contadas a nossos filhos pelas mulheres, merecem conhecer o que nós humanos temos que eles nunca alcançaram. Honra e coragem. Armemos as esquadras e bateremos a porta de seus reinos com nossos canhões dando o sinal de que seu algoz chegou.
- Bonitas palavras Andarilho dos Sonhos, podemos jogar nossas ultimas reservas contra eles em terra na esperança de que recuem, mandar nossos heróis pelo mar e invadir a cidade Branca, enquanto nossas casa ficam vazias e destruídas pelas milícias rebeldes, dando ao Yerktum a nossa preocupação. Mantemos assim o equilíbrio colocando uma terceira força na guerra.
Quando a bela moça, a única mulher ali presente terminou, todos ficaram espantados com o pregresso conseguido nos últimos minutos. Ela trazia consigo a balança o símbolo do equilíbrio, ela a alta sacerdotisa de Manticarr, Detentora do equilíbrio.
Ouviu-se então a bela voz do Bardo da Verdade com seu longo chapéu e sua vestimenta típica dos artistas.
- Que nossas ações mereçam ser cantadas, que nossa bravura seja realçada mesmo pelos bardos do inimigo, que os humanos entendam que lutamos por todos e morremos por nós. Que em nossos corações soe a trombeta de Manticarr por mais uma vez. O que nós humanos podemos fazer contra tanto ódio?
A decisão final parecia estar cada vez mais perto de acontecer, nenhum homem mesmo que rei ou diplomata das terras externas teve a coragem de dirigir a voz àqueles magníficos seres que eram os membros do conselho, mesmo aquele que estava no chão sentado e nenhum titulo tinha, parecia enigmático. Cada membro parecia discordar e concordar um com o outro ao mesmo tempo. Um paradoxo grande demais para ser compreendido. Mesmo o Rei do reino de Manticarr que gozava do titulo: Rei das cinco armas e que um dia também fez parte daquele místico conselho não se opunha às decisões.
O homem sentado abaixo da flâmula se levantou mais uma vez e em tom serio disse:
- Então está decidido. Preparemos física e espiritualmente nosso povo para o que está por vir, nossas mulheres cuidaram daqueles que viram verões demais e daqueles que viram poucos, todos os demais homens engrossaram os exércitos que irão atacar frontalmente o inimigo, lançando-o nas terras dos rebeldes, enquanto isso nós partiremos com a esquadra na tentativa de invadir a cidade branca forçando o exercito inimigo a recuar. Que doemos nossas vidas a nossos irmãos, que morramos por algo maior que nosso ego!
- Perigo de morte? Pequena chance de sucesso? O que estamos esperando para ir?
O Príncipe da Cinco Armas declarou.
- Se estamos preparados para a derrota, então venceremos.
Declarou o Gran Consillieri.
- Que o fogo da destruição que vislumbrei não se abata sobre nós, mas que seja por nossas mãos que se abata sobre o inimigo.
Declarou os Olhos que Vêem.
- Que a verdade seja escondida nos sonhos e ensinadas por analogias.
Declarou o Andarilho dos Sonhos.
- Que vocês bravos guerreiros voltem para suas mulheres com seus escudos, ou sobre eles, nunca sem a honra.
Declarou a Detentora do Equilíbrio.
- Que nossas ações sejam dignas de serem cantadas pelos trovadores que ainda estão por vir.
Declarou o Bardo da Verdade.
sexta-feira, 25 de abril de 2008
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Um comentário:
Achu q soh eu entro no blog..
eu e vc neh tiago...
ehuehehe
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